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Clementina Almeida de Moura -
A CRITICA |
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Clementina
Almeida de Moura utiliza, numa simbiose perfeita, pintura a óleo,
pastel e lápis. O que contrasta sobretudo, é a sua maneira
de realizar um quadro acabando-o ao lápis. O que reforça
a expressão hiperréalista do quadro. E assim, o pensamento
artistíco se encontra reforçado.
W.Boon |
“Masques
de l’opéra”
Óleo , pastel e lápis sobre tela - 80cm x 100cm |
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Notáveis
são igualmente as mulheres que ela pinta. Muitas vezes os traços
não são dados claramente, o que os torna ainda mais impressionantes.
Um banco vazio e uma mulher abatida segurando negligentemente um ramo
de flores, falam de um encontro falhado. Às vezes uma mulher que
vemos aparecer no horizonte projecta uma sombra protectora como uma deusa
que vela pela natureza.
W.Boon
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"En
attendant"
Pastel - 50cm x 70cm |
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Estes
rostos de mulher sem traços, intrigam e ultrapassam o aspecto
pictural da obra. Eles nos levam a querer compreender o último
obectivo e o raciocínio da artista. Eles apresentam o conjunto
mais subtil e o contéudo mais rico.
W. Boon
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“La
fille aux cheveux couleur de blé”
Óleo sobre tela – 60cm x 50cm
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O sentido de beleza,
esta beleza absoluta que se esconde nas coisas mais simples, apanha-la
e a transferir-la ; eis a motivação de base e o leitmotiv
das suas obras. As origens da inspiração são inevitávelmente
momentos da vida de todos os dias, das experiências e dos sonhos,
de alguns países, regiões ou épocas, uma sorte de
argumento pela vida e uma rejeição da morte desta simplicidade
tão bela.
R. Haesaerts
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"La
maison prépare la fin d’après midi"
Óleo sobre tela – 50cm x 60cm |
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Exprimindo-se
atravez de formas simples, combinando abstração e figuração
atravez de uma paleta muito colorida, esta artista nos leva a um mundo
fascinante, intímo e robusto.
Notáveis são particularmente os seus rostos de mulher
onde os traços nos aparecem muitas vezes como uma filigrana,
levando o espectador a se envolver ele mesmo na obra, onde a subtíl
composição torna finalmente o contéudo mais rico.
Um universo a descobrir.
W.Boon |
"Femme
India"
Óleo sobre papel – 50cm x 40cm
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O vermelho-ouro
do seu universo forma a onda, com a qual o ritmo conduz a emoção
e reforça o êxtase – entre a dança e a mulher
– num abraço de sedução, de onde aparece a
obra, um instante na memória.
Maria Teresa Palitta
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"Samba"
Óleo sobre tela – 80cm x 100cm |
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As
obras recentes de Clementina Almeida de Moura consistem, o que se podia
descrever como um enigma pictural. As figuras humanas, mulheres quase
sempre, os rostos de traços ausentes ou apenas esboçados
em algumas sombras, um apontamento de nariz, de sobrancelhas, de lábios.
Os fundos onde os azuís, os ocres, os vermelhos, certos verdes
nos fazem lembrar uma paisagem, também esboçada, tocada
sómente pela evocação dessas tonalidades. A menos
que a artista não retome tal ou tal elemento da realidade à
semelhança das suas personagens, presente, ela também
apenas pela alusão.
D.Paternoster
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"Garota
de Ipanema"
Óleo sobre tela – 60cm x 80cm
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E todavia, as
suas mulheres nos interpelam. Pela sua beleza, sua graça e seus
cabelos, certo. Mas também e bastante paradoxalmente pela sua personalidade
e pela sua presença. A ausência do rosto não prejudica
em nada a impressão de uma realidade subjectiva, de uma história
vivida. Cada uma destas figuras se impõe pela sua individualidade.
Certas silhuetas evocam a sensualidade, outras uma certa melancolia. Toda
uma gama de atitudes, de sentimentos e de expressões habitam essas
personagens aureoladas do mistério do anonimato.
D.Paternoster
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"Mélancolie"
Óleo sobre tela – 50cm x 60cm
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Sua
beleza intemporal tira seus enfeites na evidência das atitudes,
no pálido das carnações, na opulência das
cabeleiras e na simplicidade do vestuário. A artista recorre
às cores em contraste para os fundos e certos detalhes. Esta
procura cromática que passa pelos tons vivos e misturados é
a única encenação que se autoriza a pintora. Visto
que a preocupação essencial não é de criar
enigmas ou de dar lugar a interpretações múltiplas.
Mas de dar uma certa imagem do belo. E cada um pode ver refletir-se
um rosto conhecido ou esperado, um desejo, uma ideia, um ser de carne
ou um fantasma do passado .
D.Paternoster
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"A
l’intérieur des rêves"
Óleo sobre tela – 70cm x 60cm |
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Clementina Almeida
de Moura afixa uma figura de uma execução simbólica
e filtrada de meditação neo-metafísica como se mostra
em evidência a sua tela « Le châle ».
Teodosio Martucci
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"Le châle"
Óleo sobre tela – 50cm x 70cm |
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Tu
olhas o outro como um amigo e com as cores quentes e fortes, com gestos
doces e delicados, tu abraça-lo com um sorriso cheio de confidências
no que é a tua certeza o humano é possível ; e
eu reencontro o meu caminho, o meu desafio a minha esperança.
A.J.Almeida de Moura
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"Surprise"
Óleo sobre tela – 50cm x 60cm
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De Moura dá
ás suas obras um temperamento concreto que passa por cima das imagens.
O perfil contém o essencial magnífico do caracter e da alma.
Neste sentido, a apologia do rosto é urgente. Ele se esconde e
se exprime ao mesmo tempo: é uma canção em surdina,
um concerto rarefeito, para obter a ideia que se espera.
Maria Teresa Palitta
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"La fête du
crépuscule"
Óleo sobre tela – 60cm x 80cm |
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O
comprimento de onda com a qual a artista entra no mistério, faz
nascer uma divergência entre o que parece e o que é. Os
corpos parecem encantados: eles se afastam para se unirem de novo num
equilíbrio monumental que é o conto que propõe
em seguida o sonho.
Maria Teresa Palitta
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| "Rencontre
sur la falaise"
Óleo sobre tela – 70cm x 90cm
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Há um
sistema emblemático na composição, que saí
dos hábitos e que revela uma capacidade descritiva, não
sómente académica. De Moura utiliza a feminidade e a solenidade
cósmica, onde os princípios indicam o inexorável,
inerente à criatura, ao microcosmo no macrocosmo.
Maria Teresa Palitta
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"Des heures sereines"
Óleo sobre tela – 70cm x 50cm
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Clementina
Almeida de Moura faz abstração do esquema natural para
adoptar um outro. Os traços se entreabem, com marcas invisíveis.
Elas propõem qualquer coisa de inacessível que nos faz
penetrar no enigma. Um parêntese austero que propõe o mistério
e que nos convida à festa para contemplar a mulher no seu poema
iniludível.
Maria Teresa Palitta
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| "La
tombée de la nuit"
Óleo sobre tela – 80cm x 60cm
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Desta maneira,
a mulher torna-se um poema conceptual, um devir ardente. Um planeta inexplorado,
onde o ouro da memória se deixa formar. É um estojo nobre
e mistérioso, simples e solene. Como um jacto de água no
qual se reflete o cosmo. É sobre o rosto cósmico (ponto-luz),
que se encontra o dilema admirável : os traços éteros
e a plasmática mórbida que revela um sistema particular
no comportamento e no ser.
Maria Teresa Palitta
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"Méditation"
Óleo sobre tela – 60cm x 70cm
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A
única solução é a ordem, a densidade tonal,
a boa direcção do corpo. De um corpo que não é
pintado mas que vive. É uma introdução autêntica.
Um acordar progressivo. Uma vitalidade imprimida de luz, que esconde
e que revela, que favoriza e que anula. Comparando ao nascer e ao pôr
do sol, sem desaparecer, os perfis da terra sombreados persistem.
Maria Teresa Palitta
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| "Tourbillon"
Óleo sobre tela – 70cm x 90cm
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De Moura utiliza
o ouro do dia nos seus rostos estéticos. Os braços são,
eles também fundidos no metal precioso. Eles são a defeza,
um enredado vigoroso, que afasta e que atrai.
Maria Teresa Palitta
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"Assise face à
la mer"
Óleo sobre tela – 80cm x 100cm
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A
cor é inata à raíz : o vermelho e o violeta com
o ouro da pele traduzem o vigor. O azul é o toque sapiencial.
Assim como a forma. Inalterável. O corpo é exposto, terno
e austero, sem todavia ser exibido. É um modelo exemplar, uma
conformação muito singular entre si mesmo e o outro, no
eterno diagonóstico de que os seres saíem frustados. Desta
vez não é o caso. A espessura da alma é intransponível,
e contudo o rosto provem do interior inacessível que faz permanecer
o enigma. A criatura mesmo impõe a mudança entre rosto
e rosto. Para obter um efeito de transcendência, o encanto anatómico
torna-se irreal e se põe como um carimbo sobre a narração
ele mesmo.
Maria Teresa Palitta
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| "Comme
enchaînée au paysage"
Óleo sobre tela – 70cm x 80cm
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Os corpos ligam-se
elegantemente na sua doçura tranquila, na dança ou na meditação.
São símbolos vitais num contesto de luz que faz explodir
tudo num abraço admirável com a história.
Maria Teresa Palitta
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"Tout était
si paisible et silencieux"
Óleo sobre tela – 60cm x 80cm
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A
narração é excelente. Ela fascina. Eis o essencial
mesmo da pintura. Graças a um estilo pessoal ela transforma uma
música penetrante e invasadora, que se enrola num chale ao compasso
de um samba, ao diagonóstico de si. Eis o motivo principal do
enigma-rosto.
Maria Teresa Palitta
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| "
L’envol"
Óleo sobre tela – 60cm x 80cm
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